Premunição? Sei lá...
Do meu tempo de juventude tenho excelentes recordações.
Durante bem
mais de uma década eu saí, quase que religiosamente, todos os finais de
semana à noite para dançar. A dança era
o meu único "vício"; por ser freqüentadora assídua do único clube que
funcionava na pequena cidade em que eu morava, conhecia os melhores
"bailarinos" locais, tinha amizade com a maioria deles e também tinha parceiro certo para cada ritmo que
tocava. Ainda sou da época que se tocava seleções de música nos bailes;
costumava combinar com os colegas de clube que ritmo dançaríamos. Certamente eu
tinha os meus parceiros favoritos, mas sempre que um colega me convidada para
dançar, para não deixá-lo constrangido eu
dançava nem que fosse apenas uma música. Sem falsa modéstia, até que eu não fazia feio no salão.
Mais de duas década se passaram . Eu tive que
me mudar da pequena e pacata cidade. O motivo foi trabalho, ou seja, falta de
oportunidade de trabalho - assim como a grande maioria das pequenas cidades do
país, a minha cidade natal nunca ofereceu tal oportunidade.
A moçada da
minha geração que quis ter
formação profissional e conquistar espaço no mercado de trabalho teve que deixá-la, ainda que tenha sido com
muita dor no coração.
Mudei-me para a cidade "Capital do Vale" - referência ao Vale do Paraíba, interior do
estado de São Paulo - em meados da década de 1990. Dei-me muito bem. Logo
consegui trabalho e, o que foi melhor, fiz amizade com um pessoal que também
gostava das baladas noturnas. Numa dessas noites aconteceu um fato que mudou radicalmente minha vida.
O
pagode estava no auge no país. Diferentemente da minha pequena cidade, não
conhecia quase ninguém e não era por falta de parceiro que não dançava; eu
dançava sozinha mesmo, quando minha
amiga me chamou, mostrou-me um rapaz e
disse que fazia tempo que ele não tirava
os olhos de mim. Mal o observei; não dei
nenhuma importância ao comentário e
continuei a dançar. A única coisa que percebi foi que ele estava de pé.
Era
verão, o salão parecia que ia pegar fogo. Decidi ir ao banheiro passar água no rosto e assim o fiz. Saindo do
banheiro levei o maior susto, aquele mesmo rapaz me pegou pelas e não me fez um
convite, fez sim uma afirmação: você vai dançar comigo!
Sequer tive tempo de falar alguma coisa;
quando vi já estávamos dançando. Ele dançou divinamente, foi fogoso, carinhoso,
ousado em alguns momentos, foi realmente irresistível. Adorei dançar com ele.
Nossa história começou exatamente nessa noite.
Lembro-me que fazia pouco tempo que
estávamos nos encontrando; num dos nossos encontros, sem saber o porquê senti
vontade de falar o seguinte:
-
Eu não sei se vamos ficar juntos por muito tempo; não sei
porque você entrou na minha vida, mas eu
sinto que você vai ficar para sempre. Pareceu que alguém havia colocado tais
palavras na minha boca, na realidade não tinha tido nenhum pensamento
semelhante até então.
Atualmente não
estamos juntos, mas há alguém na nossa vida - o
nosso filho Vinícius. Eu engravidei menos de dois meses depois do
acontecimento desse fato.
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