domingo, 23 de junho de 2013

Premunição? Sei lá... Também gosto de escrever crônicas. Espero que gostem.




Premunição? Sei lá...

Do meu tempo de juventude tenho excelentes recordações.
Durante bem mais de uma década eu saí, quase que religiosamente, todos os finais de semana  à noite para dançar. A dança era o meu único "vício"; por ser freqüentadora assídua do único clube que funcionava na pequena cidade em que eu morava, conhecia os melhores "bailarinos" locais, tinha amizade com a maioria deles e também  tinha parceiro certo para cada ritmo que tocava. Ainda sou da época que se tocava seleções de música nos bailes; costumava combinar com os colegas de clube que ritmo dançaríamos. Certamente eu tinha os meus parceiros favoritos, mas sempre que um colega me convidada para dançar, para não deixá-lo constrangido  eu dançava nem que fosse apenas uma música. Sem falsa modéstia,  até que eu não fazia feio no salão.
             Mais de duas década se passaram . Eu tive que me mudar da pequena e pacata cidade. O motivo foi trabalho, ou seja, falta de oportunidade de trabalho - assim como a grande maioria das pequenas cidades do país, a minha cidade natal nunca ofereceu tal oportunidade.
A  moçada da  minha geração que quis  ter formação profissional e conquistar espaço no mercado de trabalho  teve que deixá-la, ainda que tenha sido com muita dor no coração.
Mudei-me para a cidade "Capital do Vale" -  referência ao Vale do Paraíba, interior do estado de São Paulo - em meados da década de 1990. Dei-me muito bem. Logo consegui trabalho e, o que foi melhor, fiz amizade com um pessoal que também gostava das baladas noturnas. Numa dessas noites aconteceu um fato que  mudou radicalmente   minha vida.
            O pagode estava no auge no país. Diferentemente da minha pequena cidade, não conhecia quase ninguém e não era por falta de parceiro que não dançava; eu dançava  sozinha mesmo, quando minha amiga me chamou, mostrou-me  um rapaz e disse  que fazia tempo que ele não tirava os olhos de mim.  Mal o observei; não dei nenhuma importância ao comentário e  continuei a dançar. A única coisa que percebi foi que ele estava de pé.
            Era verão, o salão parecia que ia pegar fogo. Decidi ir ao banheiro passar  água no rosto e assim o fiz. Saindo do banheiro levei o maior susto, aquele mesmo rapaz me pegou pelas e não me fez um convite, fez sim uma afirmação: você vai dançar comigo!
 Sequer tive tempo de falar alguma coisa; quando vi já estávamos dançando. Ele dançou divinamente, foi fogoso, carinhoso, ousado em alguns momentos, foi realmente irresistível. Adorei dançar com ele.
Nossa  história começou exatamente nessa noite.
            Lembro-me que fazia pouco tempo que estávamos nos encontrando; num dos nossos encontros, sem saber o porquê senti vontade de falar o seguinte:
-          Eu não sei se  vamos ficar juntos por muito tempo; não sei porque você entrou na minha  vida, mas eu sinto que você vai ficar para sempre. Pareceu que alguém havia colocado tais palavras na minha boca, na realidade não tinha tido nenhum pensamento semelhante até então.
Atualmente não estamos juntos, mas há alguém na nossa vida - o  nosso filho Vinícius. Eu engravidei menos de dois meses depois do acontecimento desse fato.




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