segunda-feira, 24 de junho de 2013

O rapaz que homenageio nesse texto, afirmou que vai tentar montar o time novamente. Sua auto estima melhorou muito.

INCLUSÃO SOCIAL ESPONTÂNEA (10/06/2013)


    Moro no bairro Galo Branco há quase dezoito anos. Durante esse período pude assistir muitas mudanças que aqui ocorreram. Cito como exemplo melhorias consideráveis nos serviços públicos, tais como rede de esgoto, a chegada do asfalto, construção da pista de skate, áreas de lazer, a vinda de várias empresas, etc. Em contra partida, infelizmente, o que mais tenho assistido ultimamente é o aumento da violência. Tenho consciência que esse terrível problema social e está afetando o país inteiro, mas há muito por fazer pela segurança da comunidade.
   Voltando ao assunto sobre o bairro meu objetivo é relatar uma história que me traz lembranças muito agradáveis. Diz respeito a um jovem rapaz, vizinho meu, e sua paixão pelo futebol. Ele é torcedor do São Paulo e, como a  maioria dos brasileiros é também um pouco técnico, jogador, juiz...
Na nossa rua, curiosamente, há mais meninos do que meninas. O mais legal é que eles têm praticamente a mesma idade e também são apaixonados por futebol.
Até o ano passado, quase todo final de tarde, os garotos - entre eles meu filho -  reuniam-se para jogar uma pelada. Na falta de um campo de futebol adequado, improvisavam o jogo na rua mesmo, em frente à minha casa. Enfrentavam o asfalto e o vai e vem dos carros no horário do rush; tudo valia a pena pelo jogo.  E eles faziam questão da participação do jovem rapaz, que embora fosse bem mais velho, nunca ficava de fora. Em todas as partidas lá estava ele, ora como jogador de linha ou  goleiro, ora como técnico ou juiz. Quando estava na posição dessas últimas funções citadas era muito respeitado. Sua palavra era uma ordem e nenhum dos garotos ousava desobedecer.
O fato do jovem rapaz ser um cadeirante nunca  foi obstáculo.  O mais bonito era quando ele jogava na linha. Tinha colega que o ajudava a conduzir seu meio de locomoção e, se não passavam a bola para ele, tinha sempre um garoto que mandava  que o  fizessem. Quando, por algum motivo, ele não estava jogando na linha, como goleiro ou na posição de juiz ou técnico, o nosso amigo  atuava como locutor esportivo, narrando o jogo e ele não deixava nada a desejar para os profissionais no assunto.
 Esses jogos se tornaram raros hoje em dia. Isso porque a maioria dos garotos já está no ensino médio e não tem tido muito tempo para se reunir.  Sinto saudade de assistir esse lindo show  de inclusão  social.  
A amizade e o respeito superam qualquer obstáculo. Isso sim é prova de amor.


Texto escrito em homenagem ao meu visito e amigo Osvaldo – um exemplo de vida para todos.

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