INCLUSÃO SOCIAL ESPONTÂNEA
(10/06/2013)
Moro no bairro Galo Branco há quase dezoito anos. Durante
esse período pude assistir muitas mudanças que aqui ocorreram. Cito como
exemplo melhorias consideráveis nos serviços públicos, tais como rede de
esgoto, a chegada do asfalto, construção da pista de skate, áreas de lazer, a
vinda de várias empresas, etc. Em contra partida, infelizmente, o que mais
tenho assistido ultimamente é o aumento da violência. Tenho consciência que
esse terrível problema social e está afetando o país inteiro, mas há muito por
fazer pela segurança da comunidade.
Voltando ao assunto sobre o bairro meu objetivo é relatar uma
história que me traz lembranças muito agradáveis. Diz respeito a um jovem rapaz,
vizinho meu, e sua paixão pelo futebol. Ele é torcedor do São Paulo e, como
a maioria dos brasileiros é também um
pouco técnico, jogador, juiz...
Na nossa rua, curiosamente, há mais meninos do que meninas. O
mais legal é que eles têm praticamente a mesma idade e também são apaixonados
por futebol.
Até o ano passado, quase todo final de tarde, os garotos - entre eles
meu filho - reuniam-se para jogar uma
pelada. Na falta de um campo de futebol adequado, improvisavam o jogo na rua
mesmo, em frente à minha casa. Enfrentavam o asfalto e o vai e vem dos carros no
horário do rush; tudo valia a pena pelo jogo. E eles faziam questão da participação do jovem
rapaz, que embora fosse bem mais velho, nunca ficava de fora. Em todas as
partidas lá estava ele, ora como jogador de linha ou goleiro, ora como técnico ou juiz. Quando
estava na posição dessas últimas funções citadas era muito respeitado. Sua
palavra era uma ordem e nenhum dos garotos ousava desobedecer.
O fato do jovem rapaz ser um cadeirante nunca foi obstáculo. O mais bonito era quando ele jogava na linha.
Tinha colega que o ajudava a conduzir seu meio de locomoção e, se não passavam
a bola para ele, tinha sempre um garoto que mandava
que o fizessem. Quando, por algum
motivo, ele não estava jogando na linha, como goleiro ou na posição de juiz ou
técnico, o nosso amigo atuava como
locutor esportivo, narrando o jogo e ele não deixava nada a desejar para os
profissionais no assunto.
Esses jogos se
tornaram raros hoje em dia. Isso porque a maioria dos garotos já está no ensino
médio e não tem tido muito tempo para se reunir. Sinto saudade de assistir esse lindo show de inclusão social.
A amizade e o respeito superam qualquer obstáculo. Isso sim é
prova de amor.
Texto escrito em homenagem ao meu visito e amigo Osvaldo – um
exemplo de vida para todos.
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